SEM PALAVRAS

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2007-02-25

CRISPO-ME

CRISPO - ME


Oiço vejo e crispo-me

Dúvidas avassalam-me

Cristo surge e calam-me

Pois é tarde e visto-me

estou atrasado e perco-me

Quem não espero aparece-me

E onde não há vida salvam-me

Que mais querem – tomem-me

Não esperem trocarem-me

Que ninguém vai iludir-me

Vou de morto calado fingir-me

Não vá a vida a sério fugir-me



Crispo-me na incerteza dos dias

risco o meu futuro nas nuvens

misturas acesas noutras candeias

e perdidas todas as garantias

insisto na loucura dos meus bens

rendido escuto negras sereias
hoje sei o sabor das noites frias

4 comentários:

Nan disse...

"Que ninguém vai iludir-me
Vou de morto calado fingir-me
Não vá a vida a sério fugir-me"


A crispação da sabedoria de se ser sobrevivente?

_________________________

Não te conhecia a veia poética para além do perfil no Domdiludir.

Este é um bom poema.

Bjs

kimporta disse...

A sabedoria é um fingimento para o conseguir.
_________________________
Gosto das tuas frases sintéticas, mas deixas-me aflito. O que está escrito devia explicar; se perguntas é porque não fui bem sucedido ou porque advinhas mais do que eu disse?

A veio poética é intermitente. Escrevo e ponho de lado. Só passados tempos volto a pegar e ver se se salva. Imagina que este "crispo-me" cheguei a perguntar a um amigo, que acho que escreve muito bem, se tinha sido ele a arranjar umas partes (às vezes utiliza o meu computador). Claro que fui gozado, sem respeito pela minha falta de confiança.

Também gosto deste.
Bjs.

kimporta disse...

ERRATA:

Onde se lê "A veio poética...", deve ler-se o que vos apetecer.

Nan disse...

Não te afligas que isto não passa de mania: responder, às vezes, com perguntas.
Na maioria dos contextos penso o que digo em forma de pergunta e só a coloco para saber se a outra pessoa também pensa o mesmo, se entrei em sintonia.

(Havia até alguém, com quem falava muito, há uns anos, que se exasperava:" tu não me respondas às perguntas com outras perguntas!").

Penso que dissemos o mesmo por outras palavras: um fingimento para se conseguir sobreviver.

PS1: ainda bem que o teu amigo não lhe mexeu.

PS2: fartei-me de rir com a errata.

:)

Bjs